Um
assalto frustado, os cinco bandidos presos e o trauma pelos momentos de
medo e tensão vividos por sete reféns. Esse é o balanço final da ação
de uma quadrilha formada por cinco jovens - entre eles um menor - que
tentaram assaltar uma fábrica de beneficiamento de açaí, ontem, em
Parnamirim.
Emanuel Amaral
Os quatro acusados, presos após terem invadido a fábrica e manterem funcionários como reféns
Por
volta do 12h, o bando invadiu a fábrica Açaí do Joca Jr. para efetuar
um assalto. Percebendo a intenção criminosa, um dos funcionários
conseguiu acionar a polícia, que chegou momentos após, surpreendendo
Victor Cavalcanti Soares, de 28 anos, que estava do lado de fora da
fábrica em um Toyota Corolla perolado, com placa KLQ-8213, de Santa
Cruz do Capibaribe-PE. Ele aguardava a saída dos comparsas para dar
fuga. O carro, segundo a polícia, foi roubado pelos criminosos para
realizar o assalto.
Percebendo a chegada dos policiais, Leonardo
Victor Cavalcanti Soares, de 28 anos, acelerou e tentou fugir sozinho,
mas foi impedido por policiais do 3º Batalhão de Polícia Militar de
Parnamirim, que furaram os pneus do veículo com tiros.
Os quatro
bandidos que realizavam o assalto no interior da fábrica, percebendo
que estavam cercados e sem chances de fuga, decidiram render os
funcionários. Dois foram trancados dentro da câmara fria onde era
guardados os açaís congelados. Outros cinco foram mantidos sentados no
chão, sob a ameaça de armas e palavrões dos bandidos.
À medida
que as viaturas da Polícia de Choque, Batalhão de Operações Especiais
(BOPE) e do Grupo de Operações Especiais (GOE) chegavam ao local, vários
curiosos se amontoavam procurando acompanhar o fato inédito na região.
Com medo de se entregar aos policiais, após os tiros no momento da
abordagem do veículo que usariam para a fuga, os bandidos passaram a
exigir a presença de advogados no local para ter apoio nas negociações
para a rendição. Os criminosos cobraram ainda a presença da imprensa
para "garantir a integridade física", segundo relataram nas negociações.
Além disso, pediram coletes a prova de bala.
Apenas por volta das 14h30, os quatro bandidos se entregaram, sem causar maiores danos aos reféns.
Silvio
Santana de Oliveira, de 24 anos, Rodrigo Felipe Macedo Rego, de 18 anos
e Estevam Sales da Silva, de 19 anos e um menor de idade de 15 anos
foram presos e levados para a Delegacia de Polícia de Parnamirim. De lá,
foram levados para um centro de detenção provisória. O menor não foi
liberado, pela gravidade do caso, e deve ser encaminhado a um Ceduc. Os
quatro criminosos que estavam dentro do ponto comercial estavam armados,
com uma pistola ponto 40 e uma 9mm, e de um revólver calibre 38.
Entre
os reféns, duas mulheres passaram mal. Os dois homens que ficaram
dentro do frigorífico prcisaram de atendimento médico para se recuperar
após parmanecerem por quase três horas dentro da câmara fria sem as
roupas adequadas. Marcos Dionísio, coordenador financeiro da fábrica,
alegou que as vítimas realizaram orações pedindo a proteção divina
naquele momento. "Cremos na proteção de Deus. Por isso saímos bem dessa
dificuldade", disse.
O valor que estava na caixa da fábrica,
alvo dos bandidos, era R$ 300. Um maior volume de dinheiro havia sido
retirado poucas horas antes do assalto.